quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Closure


Isto não fui eu que escrevi..mas achei que descrevia muito bem o que sinto por isso copiei, remodelei e aqui esta!

"Os americanos chamam-lhe "closure".

Quando alguém morre e precisamos do funeral e do luto.

Quando termina uma relação e precisamos de tempo, de rasgar as fotos e as memórias até poder seguir adiante.

Este tem sido um ano assim... de sarar feridas, de fazer escolhas.

De valorizar o que de facto importa.

Tempo de "arrumar a casa" e deixar para trás a bagagem que, de facto, não interessa.

Relativizar os pequenos grandes dramas da familia.

Assumir a distância de uma amizade que não me fazia feliz, assumir a distância de uma amizade que estava sempre a encontrar a outra.
E não me sentir culpada com o silêncio e com a solidão que criei.

E gerir a solidão que isso implica.
E o vazio.
Reconhecer que o emprego já não é o que era e que, muitos dias, não quero estar aqui.

Admitir que já não gosto tanto de algumas destas pessoas e perceber que não é, necessariamente, por minha "culpa" mas sim por elas.

Abrir o coração e o tempo a outras pessoas.

Ter vontade de experimentar outros confortos, outros abraços.

Outros grupos de amigos.

Aceitar a ternura.

São pequenas "closure".

Não me apetece aturar gente imatura que é incapaz de perceber quando alguem esta em baixo e precisa.

Precisa de tudo.

E não de "lamento muito"...

Quem é o amigo que diz - "lamento muito...mas é assim " - a um amigo que esta lavado em lágrimas???

Sim, eu sei que nem sempre sou muito "doce".Que digo o que tenho a dizer e nem sempre de forma suave ou simpática.

Mas jamais mentirei a um amigo.

Jamais direi que sim, está tudo bem a menos que de facto esteja.

E não alimento "raivinhas de dentes".
Disse.
Está dito.
Bola para frente que atrás vem gente.
Afinal, é tudo uma questão de... "closure".

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Café?


Suponho que o mais aborrecido em ter pouquíssimos amigos seja o facto de não ter ninguém para ir tomar café no fim da tarde.....
Ou estar na esplanada em silêncio enquanto se observa o borbulhar da sagres gelada...
Estou gradualmente a habituar-me a uma vida diferente onde o Tempo é aproveitado ao ínfímo sob o lema "consigo fazer isto agora"e a saltitar de sesta em sesta e a roubar horas ao Sono pela madrugada a fora.
Pela manhã ...olheiras até aos pés mas com a certeza de ter concretizado algo....
Acho que têm razão quando dizem que quanto menos tempo se tem mais se faz....
Nos tempos do Café fazia-se pouco mas estava-se muito.
Agora não estou em lado nenhum mas faço imenso.

Compramos um Sonho!


Ontem entramos na Lanidor e compramos um fabuloso chapéu vermelho com riscas brancas! Enorme e com abas moldaveis! Engraçado foi ver o ar incomodado das empregadas enquanto eu e a M o exprimentavamos com pose e preceito!
Tinha mesmo ar de tardes de verão quentes a beira da praia...deserta e com ondas de miragem ao fundo e zum zum hipnotizante do Mar.....
É meu! - M aos gritos!
É mesmo minha filha!
Orgulho da mamã!
Não compramos um chapéu mas sim um sonho!
Contentes na mesma!
Agora é so concretizar.
Podem crer que será sempre o primeiro objecto a entrar nas nossas mala de viagem!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Andei por ai.


Outro dia encontrei-me....


- O que andasste a fazer?


- Andei por ai perdida...Pensei que tinha algo..mas afinal enganei-me...era apenas uma ilusão que fugiu.


- Fugiu? Porque não a agarraste?


- Não valia a pena....percebi nas suas palavras e hesitações que desde que decidiu dar o passo em frente que eu não passava de uma hipotese....uma de três. Uma certa e duas por escolher. Eu estava por escolher....

Por isso deixei ir....com alguma indignação....com muita mágoa.....com muita pena. Mas em tudo na vida temos que ser alguma coisa.

E eu não quero ser uma hipotese..... quero ser uma certeza.......absoluta.


- Mas....assim?....sem mais nem menos?.... sem nada.....?.....


- ......houve muita confusão e eu andava perdida, desiludida.....sem asas.... e quando achei que podia voltar atrás....então percebi....

.....percebi que afinal os gestos grandiosos só existem nos contos de fadas......só lá o vento sopra sem limites.


- Tudo é mais facil se não pensarmos nas consequências dos nossos actos...quando entra o receio.....e os se´s......tudo se complica....


- Há consequências que mesmo sendo menos ortodoxas não te importas de aceitar por alguem que amas.....Na altura havia muitas consequências que eu aceitaria para isto ou aquilo.... ou ter esta....... ou aquela companhia...agora já percebi que era só eu a aceitar.....e por isso há que abrir os olhos.....Agora só pela minha filha. Sem limites. E para sempre.


- E o resto? Aqueles... que acreditavas serem os seres mais importantes da tua vida?


- Era ilusão. Andei por ai..... e percebi. Nunca existiram a não ser na minha cabeça..........


.......andei por ai sem amigos.... sempre foi assim só não tinha percebido.

...e agora mesmo sem perceber nada ando por ai ....só.....mas com algumas certezas na algibeira.